O movimento deste livro começou em 16 de julho de 2025, durante uma conversa com minha mãe, Susana. Foi ali que surgiu o seu desejo de escrever uma mensagem especial para cada convidado de sua festa de 88 anos.
Esse desejo, tão singelo e cheio de afeto, logo se expandiu: das mensagens aos convidados presentes, nasceram cartas para entes queridos que já não estão mais entre nós — mas que continuam vivos em seu coração. Seus pais, seu tio, seus irmãos, pessoas que passaram por sua vida e a marcaram de alguma forma.
Desde então, parecia que o universo conspirava a seu favor — e tudo fluiu.
Todas as manhãs, ao acordar, eu pedia a ela que me contasse suas lembranças mais significativas, e ia anotando tudo no celular. À noite, eu organizava aquelas palavras soltas, moldando-as no tom sentimental com que ela as narrava.
As lembranças eram tão bonitas que, mesmo depois de transformadas em texto, eu as relia e me emocionava.
Certa vez, estava no escritório e, após ler uma das cartas, não consegui conter as lágrimas. Meus colegas de trabalho ficaram preocupados e perguntaram se eu precisava de ajuda.
Aos poucos, o livro foi tomando forma. A cada novo texto, eu o compartilhava em um grupo de WhatsApp com minha mãe e minhas irmãs. Eram elas que me diziam se o escrito estava bom — ou precisava de mais alma.
Uma das lembranças mais marcantes desse processo aconteceu quando eu estava no Santuário de Nossa Senhora Aparecida e recebi uma mensagem no celular. Era minha irmã Lena, sugerindo que escrevêssemos uma carta sobre o dia em que a mãe do nosso avô — que morava no Japão —, pressentindo a morte, pediu para ver pela última vez os dois filhos que estavam no Brasil.
Naquele instante, inspirado pela fé e pela presença de Nossa Senhora, nasceu uma das cartas mais comoventes de todo o livro.
E é preciso ainda acrescentar o essencial: foi Deus quem conduziu cada passo dessa jornada.
Não sou escritor — pelo menos não era. E, mesmo assim, em apenas 18 dias, esse livro tomou forma por completo, como se as palavras já estivessem escritas em algum lugar da alma, apenas esperando o momento certo para nascer.
Não foi por técnica, nem por dom, mas por graça.
Foi a vontade de Deus que guiou cada lembrança, cada frase, cada lágrima e cada sorriso registrados nestas páginas. E é por isso que, mesmo escrito em tão pouco tempo, este livro não carece de profundidade nem de sentimento.
Porque onde há amor verdadeiro e fé, há também a mão d’Ele — discretamente, mas sempre presente.
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