Há algo de profundamente comovente no arrebol, esse instante em que o dia se despede devagar, tingindo o céu com o ouro cansado do tempo. Assim também é a velhice: um pôr do sol da vida, onde a pressa se rende à contemplação e as memórias ganham cor de eternidade.
Cada ruga é um reflexo da luz que já brilhou intensa; cada silêncio, um eco de tudo o que foi dito com o coração.
Envelhecer é aprender a ver beleza nas despedidas, é compreender que o arrebol não anuncia o fim, mas o repouso luminoso de quem viveu plenamente o amanhecer, o meio-dia e o entardecer da própria história.

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